Para 2022, a expectativa é de mais volatilidade, diz Zeina Latif

Investidores devem esperar por mais volatilidade em 2022, diz Zeina Latif
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Os investidores devem esperar um período de elevada volatilidade nos mercados, avaliou Zeina Latif, economista e doutora em Economia pela FEA-USP, em webinar no canal da beegin no YouTube. Zeina debateu com Rodrigo Fiszman, CEO do Grupo Solum, sobre as perspectivas econômicas para 2022.

“Para traçar cenários, é muito importante ter um diagnóstico claro sobre o que está acontecendo na economia brasileira”, declarou Zeina logo no começo do webinar. Para isso, ela traçou uma avaliação que começa no cenário internacional pós pandemia, e avançou para as expectativas em relação ao Brasil.

De acordo com Zeina, o momento internacional é de estagnação do comércio entre países. O fluxo havia caído após o início da pandemia, houve uma rápida evolução, mas logo estagnou. “Os Bancos Centrais injetaram rapidamente recursos na economia”, afirmou, e completou: “desta vez a diferença foi que os governos entraram com políticas de transferência de renda”.

Entretanto, a tendência antes da pandemia já era de perda de fôlego no comércio mundial, que se manteve após a rápida recuperação. “Precisamos estar preparados para uma agenda comercial ainda mediocre”, apontou Zeina.

Outro ponto de atenção apontado pela economista foi o descolamento do valor do Real em relação a outras moedas emergentes. “Em períodos de comércio internacional mais ou menos, a moeda americana se valoriza”, indica. Além disso, no caso brasileiro, contribui a deterioração do cenário fiscal, que também pressiona o câmbio.

Com o ano eleitoral em 2022, a tendência é acelerar a volatilidade do câmbio, com impactos no mercado em geral. “Precisamos ter mais visibilidade da política para encerrar este ciclo de volatilidade”, afirmou. Sobre uma eventual alta de juros, Zeina avalia que seu impacto sobre o câmbio é limitado. “Em ambiente de incerteza, o estrangeiro olha e pensa ‘esta moeda está muito volátil”, avalia.

Analisando a atividade econômica no Brasil, Zeina mostrou como a produção industrial brasileira está crescendo menos que a média mundial. “Quando as coisas vão mal na economia, o setor que mais sofre é a indústria”, afirmou. Considerando o cenário industrial estagnado, ela avalia que dificilmente teremos uma alta do PIB, sem reformas estruturais que retomem a competitividade da manufatura no Brasil. Este cenário se confirmou nesta quinta-feira, com o anúncio pelo IBGE de uma segunda queda consecutiva no PIB do país no terceiro trimestre de 2021.

Sobre este aspecto, Rodrigo Fiszman avaliou que “um câmbio elevado poderia ser uma oportunidade para a indústria local, mas estamos tão defasados tecnologicamente que não conseguimos aproveitar essa oportunidade”.

Ainda sobre a atividade econômica, Zeina avalia que a alta recente dos juros ainda deve impactar mais a economia, por conta de um intervalo de tempo entre as variações da Selic e seus efeitos. “Sim, teve recuperação em V, mas este aperto de juros tende a trazer um quadro recessivo”, analisa.

Nestes contextos, Rodrigo avalia que o investidor deve focar em negócios resilientes. “Em períodos de recessão costuma ser ruim para todo mundo, mas existem aqueles segmentos que são menos afetados do que outros”. Entre os setores mencionados pelo executivo, está o de reprodução humana, no qual atua a Engravida, que captou investimentos por meio da beegin.

Para ver o webinar novamente, basta assistir ao vídeo abaixo.

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