Fundos de investimento: o que são e como investir

Fundos de investimento

Em sua jornada como investidor, você certamente já foi orientado ou recebeu a recomendação de investir em algum fundo de investimento. Isto porque eles são muitas vezes uma opção simples para operar em um determinado mercado ou para diversificar sua carteira de investimentos.

Neste artigo você vai descobrir o que são os fundos de investimento, qual a sua relevância no mercado de capitais e como investir neles.

O que são fundos de investimento

Fundos de investimento são uma espécie de “condomínio” de investidores, cujo objetivo é alocar patrimônio em um determinada classe de ativo. Por meio deles, os recursos financeiros de inúmeros investidores são reunidos para serem investidos conjuntamente em produtos financeiros, de acordo com uma política pré-estabelecida.

Há fundos especializados, por exemplo, em renda fixa, ações, ativos imobiliários, private equity, ativos cambiais, fundos de criptomoedas, entre outros. 

Os fundos de investimento podem ser formados como condomínios abertos, em que o resgate das cotas pode ser solicitado a qualquer tempo, ou fechados, nos quais o resgate só se dá no término do prazo de duração do fundo. Essa classificação determina, de certa maneira, os diferentes modos de como investir em um fundo.

Um fundo de investimento precisa da autorização da CVM para operar, Em seu registro no órgão regulador, deve constar as principais informações do fundo e o seu regulamento, que estabelece as regras de governança para os investidores e outros participantes.

Em maio de 2021, a Anbima estimou que o patrimônio total dos fundos de investimento no Brasil era de R$ 6,5 trilhões.

Participantes de um fundo de investimento

Pela regulação, a manutenção de um fundo de investimento envolve os seguintes agentes:

Administradora do fundo

A administradora do fundo é a instituição que constitui o fundo. Ela é responsável por definir seu objetivo e política de investimento, estabelecer as regras de funcionamento e elaborar e aprovar o seu regulamento. 

A administradora é também a responsável pelo fundo perante os cotistas e a CVM.

A instituição financeira definida como administradora do fundo pode terceirizar parte dos serviços prestados ao fundo. Entre eles, a gestão da carteira, atividades de tesouraria, distribuição das cotas, custódia dos ativos, entre outros. 

Para ser responsável pela administração de um fundo de investimentos, a instituição financeira, que necessariamente precisa ser uma pessoa jurídica, tem que ser autorizada pela CVM para realizar essa atividade. 

Gestor da carteira ou asset management

O gestor da carteira, também conhecido pela expressão em inglês asset management, é quem realiza os investimentos do fundo, de acordo com a política estabelecida no regulamento. 

É o gestor quem decide quando e quanto comprar ou vender de cada ativo financeiro, seleciona os intermediários dessas operações, emite as ordens de compra e venda em nome do fundo. Ele também tem poderes para exercer o direito de voto decorrente dos ativos financeiros detidos pelo fundo.

Para realizar essas operações, o gestor precisa ter em mente qual a perspectiva do retorno, risco e liquidez de cada ativo. Além de levar em consideração tudo o que foi definido previamente pelo fundo. 

O gestor pode ser a administradora do fundo ou outra instituição, certificada pela Anbima, que presta serviços para o fundo.

Distribuidor

O distribuidor é o responsável por oferecer as cotas dos fundos aos potenciais investidores. Para isso, ele precisa ser autorizado pela CVM para operar neste mercado. Os distribuidores disponibilizam materiais publicitários e outros documentos obrigatórios, como o regulamento e a lâmina de informações essenciais, para que os potenciais investidores conheçam as características do fundo ofertado.

Custodiante

Cabe ao custodiante a guarda dos papéis negociados pelo fundo, como também os dados e envio de informações do fundo aos gestores e administradores. 

As principais funções destinadas ao custodiante são o registro, a liquidação física e financeira e o exercício de direitos e obrigações que fazem parte dos investimentos feitos pelo fundo. 

Auditor

Para que um fundo possa existir, é necessário a contratação de um auditor independente por parte do administrador. Ele irá auditar as demonstrações contábeis da carteira. 

Com isso, irá garantir garantir aos investidores que fazem parte do fundo que a administração está sendo feita da forma correta, seguindo regras e normas estabelecidas pelo mercado. 

Assembleia geral de cotistas

Algumas decisões específicas do fundo só podem ser tomadas pela assembleia geral de cotistas, instância máxima para decisões desse grupo de investidores. 

Entre os assuntos abordados pela assembleia, estão:

  • Alterações na política de investimento e no regulamento do fundo;
  • Alteração na forma de cálculo da taxa de administração, performance, entrada e saída;
  • Troca do administrador, gestor ou custodiante. 

Investidores ou cotistas

Quando um investidor aporta em um fundo, ele adquire cotas de participação no condomínio, que lhe dá direitos a retornos obtidos de acordo com a política estabelecida no regulamento.

Tipos de fundos de investimento

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que reúne instituições como bancos, gestoras, corretoras, distribuidoras e administradoras, classifica os fundos de investimento nas seguintes classes:

Renda Fixa

Os fundos de investimento em renda fixa têm por política investir apenas em títulos de dívida cuja remuneração é uma taxa de juros pré-fixada ou pós-fixada, como o CDI.

Ações

Os fundos de investimento em ações alocam o seu capital em empresas listadas em bolsa de valores. Neste caso, a política de investimento pode ser direcionada a um perfil específico de empresas, como as que fazem parte de determinados índices ou que atuam em certos setores.

Cambial

Um fundo de investimento cambial atua com ativos precificados em moeda estrangeira. Estes podem ser títulos públicos, de renda fixa, ações ou quaisquer outros, definidos na política de investimentos.

Previdência

Fundos de previdência são aqueles nos quais são alocados os recursos captados por planos de previdência PGBL e VGBL. Eles seguem as normas da Superintendência de Seguros Privados.

ETF ou Fundo de Índice

Os ETFs ou fundos de índice prometem entregar ao investidor a variação de determinado índice de mercado, com proteções ao patrimônio definidas no regulamento. Para entregar este resultado, a gestora não precisa necessariamente alocar recursos naquele tipo de ativo, mas sim perseguir uma rentabilidade igual ou superior à do índice selecionado.

Fundo de investimento em direitos creditórios

Os FDICs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) têm como ativo foco os recebíveis de empresas e instituições financeiras. Por exemplo, se uma rede de varejo faz vendas parceladas, ela pode vender ao fundo o direito de receber essas parcelas e, com isso, antecipar os recebimentos, com um desconto. Desta forma, o fundo assume o risco de inadimplência. Pela regulação, eles são restritos a investidores qualificados ou profissionais.

Fundo de investimento em participações

Os fundos de investimento em participações ou de private equity tem como política investir em participação societária de empresas de capital fechado. São a principal classe de fundos do mercado de ativos alternativos pela regulação, são restritos a investidores qualificados ou profissionais.

Fundos de Investimento Imobiliário

Os fundos de investimento imobiliário (FII) alocam seus recursos em projetos de construção ou imóveis. Eles incluem empreendimentos residenciais, lajes comerciais, shopping centers ou galpões logísticos.  Sua rentabilidade está associada ou à venda dos ativos ou à receita gerada pelo aluguel. 

Multimercados

Quando o fundo tem por política alocar em diferentes classes de ativos, ele é chamado de multimercado. O seu objetivo é obter rentabilidade a partir da diversificação de carteira, fazendo com que a performance de determinada classe de ativos compense a de outra.

Como investir em um fundo

Quando o investidor adquire as cotas, diz-se que ele “aplicou” no fundo. Já quando ele vende suas cotas, dizemos que ele “resgatou” o seu investimento. As condições de aplicação e resgate devem estar previstas no regulamento do fundo.

Ao aplicar no fundo, o investidor deve assinar o termo de adesão e ciência de risco, por meio do qual ele declara ter conhecimento dos riscos envolvidos naquele investimento. Em especial, ele precisa estar ciente de que não há garantias contra “perdas patrimoniais”, ou seja, em caso de renda variável, o investidor não será indenizado pela desvalorização dos ativos.

Nos fundos abertos, o investidor pode solicitar a aplicação ou o resgate a qualquer momento, por meio das distribuidoras autorizadas a negociar suas cotas. Já nos fundos fechados, a aplicação só pode ser feita no lançamento do fundo, e o resgate ao final do seu prazo de duração.

Nos cursos da Solum.ed, você pode conhecer melhor o mercado de fundos e sua relação com os investimentos alternativos.

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