Taxa de juros real: entenda o que é e como calcular

Taxa de juros real

Quem está no mundo dos investimentos provavelmente já ouviu falar sobre a taxa de juros real. Na prática, o que é essa taxa e qual a diferença para a taxa de juros nominal? 

É importante entender esse conceito para poder escolher de forma correta os melhores investimentos, seja em renda fixa, renda variável ou alternativos, para manter o poder de compra. 

O que é taxa de juros real

A taxa de juros real é a rentabilidade de um investimento descontada a inflação registrada durante esse período determinado. 

Ou seja, quanto o seu dinheiro se valorizou tirando o desconto da inflação. Dependendo do resultado, o poder de compra do investidor pode ter se mantido, aumentado ou piorado. 

Sabendo qual a taxa de juros real de determinado ativo torna mais fácil a escolha para garantir a manutenção do poder de compra. 

Diferença entre taxa real e taxa nominal

A diferença básica entre a taxa de juros real e a nominal é o desconto da inflação no período determinado. 

A taxa de juros nominal é o valor integral da rentabilidade, sem o desconto da inflação. Já a real considera a inflação do período no cálculo e desconta isso da rentabilidade. 

Como calcular

A taxa de juros real pode ser calculada por meio de uma fórmula matemática padrão que considera a taxa nominal e a inflação do período como variáveis. 

A fórmula para calcular a taxa real é: 

taxa de juros real = [(1 + taxa de juros nominal) / (1 + inflação do período)] – 1 

Vamos ver na prática como é feita essa conta. Você faz um investimento com taxa de juros nominal de 10% ao ano e, durante esse período, a inflação registrada é de 6%. 

A conta ficaria assim:

  • taxa de juros real = [(1 + 0,1) / (1 + 0,06)] – 1
  • taxa de juros real = [1,1 / 1,06] -1
  • taxa de juros real = 1,03 – 1
  • taxa de juros real = 0,03

Ou seja, apesar da taxa nominal ser de 10%, a real foi de apenas 3%. Nesse caso, o valor do patrimônio investido cresceu, mesmo descontada a inflação. 

Já se considerarmos um cenário em que os juros nominais sejam 10%, mas a inflação do período foi de 15%:

  • taxa de juros real = [(1 + 0,1)]/[(1 + 0,15)] – 1
  • taxa de juros real = [1,1 / 1,15] – 1
  • taxa de juros real = 0,9565 – 1
  • taxa de juros real = – 0,0435

Neste caso, apesar de o patrimônio investido ter crescido 10% em termos nominais, a inflação reduziu o seu valor real em 4,35%.

É importante levar esse cálculo em consideração na hora de diversificar seus investimentos com ativos que podem ser atrelados à inflação e proteger o seu poder de compra. Mesmo aqueles com taxas de juros nominais altas podem oferecer perdas reais por conta da inflação.

Cenário brasileiro atual

No Brasil, o mercado de renda fixa é balizado por duas taxas de juros: a Selic, taxa básica utilizada nos títulos públicos, e o CDI, utilizado nos títulos privados. Entre os diferentes indicadores de inflação, o IPCA é considerado o índice oficial, com base no qual o Banco Central opera sua política macroeconômica.

Nos últimos anos, o Brasil tem vivenciado taxas de juros reais negativas, tanto por conta da queda dos juros Selic e CDI quanto pela alta da inflação. Em 2020, por exemplo, a Selic anualizada média ficou em 2,8%, enquanto o IPCA fechou o ano em 4,52%. Desta forma, os juros reais ficaram negativos em 1,6%. Ou seja, quem investiu em títulos indexados à Selic perdeu 1,6% do valor real do seu patrimônio.

Para 2021, mesmo com a alta dos juros, a perspectiva é que o seu valor real permaneça negativo. De acordo com o boletim Focus, que mede as expectativas do mercado para os indicadores macroeconômicos, em 3 de setembro a projeção era fechar 2021 com o IPCA a 7,58% e a Selic a 7,63%. Ou seja, caso este cenário se concretize, os juros reais ficarão em 0,04%.

Por este motivo torna-se necessário buscar investimentos que ofereçam maior rentabilidade, ainda que com maior exposição a risco. Investimentos alternativos se tornam uma opção mais interessante neste cenário.

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